Quando a fatal curiosidade de Eva fez-lhes perder o paraíso, cessou com essa degradação, a vantagem de uma temperatura igual e agradável. Nasceu o calor e o inverno; vieram as neves, tufões, as secas, todo o cortejo de males, distribuídos pelos doze meses do ano.
Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há a possibilidade de crer que foi coetânea das primeiras duas vizinhas. Essas vizinhas, entre o jantar e a ceia, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia. Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Uma dizia que não pudera comer ao jantar, outra que tinha as roupas mais ensopadas do que as ervas que comera. Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropeiras amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mas fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica. Que me fez pensar na verdade mais incontestável que achei debaixo do sol, é que ninguém se deve queixar porque cada pessoa é sempre mais feliz do que a outra, afinal, a grama do vizinho não é mais verde, são seus olhos que a veem assim.